Aprendendo com Patos

Quarta-feira, 30 Janeiro, 2008

        Era uma bela e nostálgica tarde de verão. Como eu não podia ir para a praia devido a uma tala no 3° dedo da mão esquerda, resolvo dar uma volta pela associação. Sento num banquinho rústico de madeira, em frente a um lago com patos. Passa pela minha cabeça algo como: “Podemos aprender com tudo, por que não patos?”. E fico mais de uma hora lá, parada, analisando os patos, em busca de uma resposta para alguma pergunta fundamental.

        Obviamente que eu tirei minhas conclusões daquela experiência (imagina se eu sairia dali sem nada..!), mas nada muito satisfatório. Minutos depois eu conversei com um mestre ascencionado que tem 90 anos e quer formar um exército de zumbis comedores de cérebro de 13 anos. Ele disse uma máxima que aplico em minha vida até hoje: “Deixe fluir”. Ao forçar algum aprendizado, acabei não aprendendo nada muito útil. Temos que deixar as coisas fluírem, aproveitar os instantes da vida. Não podemos ficar procurando significado nas coisas, ao fazer isso perdemos a diversão, que é sentir a vida, o universo em nós. Perdemos muito tempo de nossas vidas procurando significados, quando viver é a resposta.

        Semanas após aquela experiência fracassada, abro numa página aleatória um livro recém adquirido. Encontro algo mais ou menos assim:

        “Podemos aprender com tudo, inclusive patos. Certo dia eu estava vendo os patos de um lago e observei que uns machos se aproximavam, brigavam e depois de um tempo se afastavam. Notei que ao se afastar eles batiam as asas, liberando aquela energia da briga. Isto é, eles não guardavam ressentimentos, não deixavam aquilo se acumular em seu corpo, porque é muito nocivo.”

        Infelizmente na hora que li não anotei a página. Por mais que eu procure, não encontro (acho que é porque eu devo ler o livro). Inclusive na última noite tive um sonho onde aparecia um ser que falava que não podia me ajudar a achar os patos do livro. Se alguém tiver o livro “O Poder do Agora”, de Eckhart Tolle e achar a história completa dos patos, por favor, me avise em que página está para eu colocar aqui integralmente.

 

Não é à toa que falo que nada é por acaso. E viva os patos!


Desejos

Terça-feira, 29 Janeiro, 2008

        Nossos desejos e sonhos não são realmente nossos. E eu não falo por falar, escrevo por sentir. Tenho uma relação de amor e ódio com meus sigilos. Na hora eu me apaixono por eles, é aquele êxtase momentâneo de permitir a concretização de algo que queria há muito. Quando percebo que sua realização está próxima, sinto um nojo de mim: “Como eu pude querer isto? É tão fútil, materialista. Mais uma vez fui levada por instintos”.

        Tudo que você quer e almeja para sua vida, é o que realmente quer? Um bom trabalho, dinheiro, sucesso, formar família. É você que quer isso ou foram os outros que colocaram em sua mente que apenas poderá ser feliz se tiver os itens citados acima? Para variar, entre meus objetivos e projetos não estão inclusos um bom trabalho, dinheiro, sucesso e muito menos formar uma família. O sistema visa sua manutenção e como parte do sistema também temos a obrigação de cuidar de sua manutenção. Seria um caos (destrutivo) total se as pessoas resolvessem de uma hora para outra que não querem mais câmeras digitais, iPods, celular novo a cada 6 meses, comidas suculentas caras e gostosas, parar de querer conquistar um emprego onde recebe um salário satisfatório que dá pra pagar as despesas de casa e do novo filho que está por vir. Imagine um mundo assim – seria muito chato, não concorda?

        Lembro de ver diversos tópicos na comunidade de sigilos do chaos onde as pessoas queriam saber como fazer sigilos para ganhar dinheiro, encontrar o amor de sua vida ou encontrar emprego. Uma ferramenta que possui amplas possibilidades de uso limitada a fins inúteis, temporários e materialistas. E não me refiro apenas aos sigilos, é a vida em geral. Uma das manifestações do princípio hermético de causa e efeito (a lei da atração, transformada no livro capitalista O Segredo), a maioria das pessoas que tenta colocar em prática é com finalidades que não expressam um real desejo – é tudo fictício.

        Eu poderia muito bem usar esta minha capacidade de criar destino para outros fins, porém não vejo nada muito eficaz a longo prazo. É mais ou menos como o Thii disse uma vez: “Dinheiro é fútil, devemos gastar com coisas fúteis”. Sob determinado ponto de vista ele está correto. E sigilos também são fúteis. Como já dizia Nietzsche, “Onde encontro uma criatura viva, encontro desejo por poder”. Sigilos são isso, quanto mais temos, mais desejamos ter. Desperta um desejo interno de querer mais e mais. Só que tudo é falso, essa ambição é imposta pela sociedade como se fosse um requisito essencial para a sobrevivência.

        Gosto de saber até onde posso chegar, só que assim não vale a pena. Não é crise de magista, é apenas outra visão. Eu fico perdendo meu tempo fazendo sigilos para ficar com determinada parte de trabalhos, ganhar coisas, acontecer determinados eventos com determinadas pessoas, conhecer pessoas e até mesmo para viajar para o exterior (ainda dou risada dessa minha experiência fútil). Tudo gira em torno de mim, sigilos são egoístas – ou ao menos são quando a pessoa é egoísta e não atingiu a iluminação.

        E agora inventei outra. Milhões de pessoas já foram atingidas e a probabilidade do ser que está do outro lado da tela (sim, você!) estar infectado com o “vírus” sigilo 2009 é muito alta (a não ser que você ficou isolado nos últimos 32 dias e não entrou em contato com ninguém).

        Por mais que eu critique, não há como negar, eu também faço parte desse ciclo, eu também sou fútil. Também sou levada por instintos, tenho desejos tolos. Só que diferente da grande maioria eu consigo a concretização de tudo que quero (mesmo que seja algo estúpido e uma vontade temporária). Não sei até que ponto isso é vantajoso…


Chats

Terça-feira, 29 Janeiro, 2008

        Salas de bate papo, um lugar repleto de pessoas dominadas por instintos, em busca apenas de satisfação corporal. Sinceramente, tenho nojo e raiva de pessoas assim, que não aproveitam os momentos da vida e raramente enxergam as coincidências.

        Era uma tarde ensolarada de janeiro. Eu tinha muitas coisas para fazer, sem vontade para fazer nada. Todo o parágrafo anterior foi ignorado por alguns minutos, tempo suficiente para que eu entrasse em uma sala de bate papo juntamente com David (Hanatarou).

        A idéia inicial era conversar um com outro, fazendo de conta que não nos conhecíamos. Algo como um debate público entre cético e fanático. Como nada sai de acordo com o planejado, começamos a conversar diversos assuntos, parecido com uma conversa de msn, só que com diversas pessoas vendo e opinando.

        Posso dizer que foi uma experiência proveitosa. Nos divertimos muito com aqueles que compram revistinhas em banca de jornal e vão nos chats em busca de mestres para ajudá-los. Eu também tive uma conversa interessante com um “Mestre”, denominado heremita (ele não era mestre em português pelo jeito), que não entendia como nada é verdadeiro, dizendo que apenas o 72 era correto e todos com 78 estavam completamente errados. Nada é verdadeiro, tudo é permitido – ainda mais quando se trata da linguagem do inconsciente. Claro que no meio daqueles que têm preguiça de pensar por conta encontramos exceções. Era o que o David queria, outro projetor.

        Por isso que eu digo: nada é por acaso. Tudo começou com uma vontade insana e contra meus princípios, de entrar num chat. Conhecemos pessoas que só estavam lá naquele momento, mudamos pensamentos, continuamos em contato com alguns e agora temos mais gente para debater assuntos bizarros.

Nada é verdadeiro, tudo é permitido. A graça disso está em ir contra nossos pré-conceitos.


Hello world!

Segunda-feira, 21 Janeiro, 2008

        Olá mundo! Dou as boas vindas à você, que acaba de adentrar meu Universo. Aqui o acaso e coincidências não existem, tudo foi minuciosamente planejado para uma melhor diversão. Não feche os olhos, o melhor está por vir.

        Virada do ano 2007/08, Ilha do Cardoso, litoral sul de SP. O mar batia na altura dos joelhos, eu me desequilibro e quase caio na água ao pular minha oitava onda. Eis que percebo o recomeço. Oito. Chaos. Renovação. Infinito.

        A morte e sacrifício de um ser para nascimento de outro, com as qualidades dos que precederam e outras características inimagináveis. É uma característica da época que eu quase fui buddhista que continua em mim: renascimento. Toda hora um ser morre e renasce, em busca de algo maior.

Não há regras, não há limites. Sou a união e aniquilação do Tudo e Nada. Não sou criança, não sou adolescente, não sou adulta, não sou idosa - simplesmente existo.