Vencer, vencer… pode ser irritante.

       Minha vida até aqui pode ser comparada, de certo modo, à um conto de fadas. Não um conto qualquer, é um daqueles sem moral de história, onde a personagem principal erra e as fadas madrinhas passam a mão na cabeça e dão mais presentes.

Metade das pessoas que conheço me consideram otimista, outra metade pessimista. Eu me considero uma pessoa realista – quando a situação está boa ou ruim eu falo. Apesar disso, se existe karma, eu tenho apenas dharma. Sempre relutei e fiz diversas escolhas erradas, mesmo assim praticamente me jogam de volta ao caminho “correto” após um breve tropeço.

Numa conversa ontem com o Lilow percebi que realmente estou fadada à liberdade e eternas vitórias. Não que seja ruim, muito pelo contrário, só que certas coincidências às vezes começam a me irritar – e muito. É tudo muito linear, óbvio demais, parecendo que tem alguém me chamando de retardada, como se eu não tivesse capacidade para ir mais além. Duvido que a pessoa atrás do computador realmente entenda como me sinto diante da perseguição do 32 em minha vida (nos momentos mais importantes e que marcaram as maiores mudanças, lá estava o 32), ou o modo pitoresco e totalmente “por acaso” com que fui parar numa faculdade particular de Medicina. Sem contar com outros eventos não menos importantes ou bizarros.

Conheço muitas pessoas que se esforçam muito mais que eu e mesmo assim estão em situações deploráveis. Não tenho do que reclamar porque consigo tudo que realmente quero/preciso, a única coisa que me irrita é o óbvio ainda obscuro por trás de tudo.

 

      Depois disso só posso dizer que não acredito em livre-arbítrio.

 

 

 

 

“… no one shall work for money, and no one shall work for fame; but each for the joy of the working.” Kipling

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