A Importância de Admitir a Derrota

    Nas últimas semanas percebi um certo padrão nas pessoas: a dificuldade em admitir a derrota, insistindo em detalhes inúteis e preguiça de ir à luta. Para explicar melhor, alguns fatos reais como exemplos.

– Como todos sabem, as universidades federais possuem cotas para negros e pessoas oriundas de escolas públicas. Apesar de não estudar em federal, ouço a todo momento a indignação das pessoas quanto a isso. Uma garota que está estudando comigo não passou em Medicina na UFSC apenas por causa das cotas que criaram. Ela disse que poderia entrar com algum processo, mas não entra porque disse que não vale a pena. Ela poderia tomar outras atitudes, mas não o faz porque diz que não vale a pena. O que resta para ela é depender da boa vontade daqueles que pagam os 3 mil da mensalidade da faculdade – tudo isso por causa das cotas. Para se ter uma noção, entrou gente para o curso de Medicina com menos de 50% de acertos. Fascinante, não? Meu ponto de vista é bem claro: sou contra as cotas. Mas nem por isso fico o tempo todo mostrando minha indignação quanto a isso, me estressando porque há injustiças sociais. Para mim tudo é irrelevante, não tenho interesse em mudar tal fato, por isso eu simplesmente ignoro. Admito, fui derrotada pelas cotas. A garota parece ter uma necessidade de contar para todo mundo que não passou lá apenas por causa das cotas, conta a mesma história com freqüência, só que não faz absolutamente nada e não toma nenhuma outra atitude além de mostrar indignação, como se bastasse reclamar que os problemas seriam solucionados.

 

- A professora de Sociologia mostrou total indignação com nossa turma, só porque não conseguia manter o controle (obviamente que conta o fato de termos Sociologia no 3º ano, juntamente com Cardio, Pneumo, Cirurgia, Endócrino… comparado a isso, acham completamente inútil). Como “vingança” ela resolve dar umas questões para respondermos. O pessoal se indigna, mas ninguém vai conversar com ela para mudar o método. Se não fosse por mim (que tenho algum interesse em Sociologia), tudo continuaria igual. Quem não admitiu a derrota? A professora, que não consegue compreender que com a Medicina métodos como as que ela usa não funcionam, resultando em um caos total na sala. Agora apenas 1/3 da sala assiste às aulas…

 

 

   Admitir a derrota é importante para conseguir se reeguer. De nada adianta ficar mostrando indignação sobre determinado assunto se não deixamos a preguiça de lado para agir um pouco. Se você não vai tomar nenhuma atitude, deixe o assunto de lado e vá partir pra outra causa que você realmente possa/queira agarrar.

    Há muito conformismo no mundo, levantar da cama é difícil, imagina então fazer algo que possa ser útil à você e aos outros? Somos condicionados a não fazer absolutamente nada, ir seguindo o fluxo das coisas. Pessoas acreditam em destino, em deus, em sei-lá-mais-o-que. Mas não acreditam que possam mudar tudo, é tão simples: basta deixar a preguiça de lado e tomar algumas atitudes, abandonando as causas perdidas de muito tempo atrás para lutar por novos objetivos.

6 Respostas para “A Importância de Admitir a Derrota”

  1. Santaum Disse:

    Esse tema de frustração é muito interessante. Você tem toda razão.

    Hoje o mundo valoriza o externo, a bunda, a beleza, o esteriópico e até o que você tem e o que você veste. Nesse tipo de sociedade, a felicidade superficial é predominante e boa parte das pessoas, invariavelmente, tendem a buscar essa mesmice. Se essa felicidade superficial é quebrada, ocorre a frustração. O interessante é que no mundo de hoje existem várias válvulas de escape para essa infelicidade superficial, como drogas (muitas por sinal), baladas, pessoas “ficando” superficialmente com 23 pessoas na balada e outros meios. Daí chega um momento em que nem isso ajuda e surge problemas psicológicos mais elaborados, como depressão e outros (bom, aí você pode falar com muito mais autoridade que eu, hehehehhe). E o ciclo se fecha, a pessoa se recupera, retorna a sua felicidade de capa e segue sua vida.

    Na visão de um sociólogo que me fugiu o nome, auto-estima é uma característica correlacionada com a frustração, e não se está se sentindo bonita ou feia ou confiante ou não. Se a pessoa tem uma boa auto-estima, ela tem uma boa capacidade de resistir à frustração. O que acontece é que, com essa felicidade de capa, as pessoas geralmente acabam perdendo suas auto-estimas.

    Em um blog chamado NADA Pensitivo (primo do NADA verdadeiro, hehehe) temos bons posts sobre esse assunto, hhehe). Se me permitir, fornecerei a seguir o link:

    http://pensitivo.wordpress.com/?s=frustra%C3%A7%C3%A3o

    Grande abraço.

  2. Rev. Kathy Disse:

    Interessante ponto de vista.
    Uma falsa felicidade, uma falsa auto-estima e muitas frutrações, é assim que a sociedade está. O mais interessante é que as pessoas falam justamente o contrário (ao menos para mim): se você não quer comprar uma roupa da marca da moda, não quer andar maquiada pela rua, não quer sair em baladas e ficar com 23 pessoas, dizem que você não se ama e não é feliz (e se você diz que não precisa disso pra ser feliz, eles dizem que você está se enganado pq se odeia). Ironicamente eu penso que nada pode dar errado comigo, enquanto as pessoas que dizem aquilo têm medo até de sair na rua…

    Quando tiver mais “tempo” vou ler com calma os posts sobre frutração. =]

  3. Santaum Disse:

    Perfeito, perfeito. É isso, heheheeheh…

  4. Rev. Peterson Cekemp Disse:

    Grande texto, grande texto. Os exemplos não poderiam ser mais simples e claros =) O que, é claro, é ótimo.

  5. Kiki Disse:

    Gostei bastante do seu texto, acho que é exatamente isso, não adianta reclamar e não fazer nada, já tinha notado que eu seguia o mesmo padrão de reclamar e não agir. Agora, quando sou impedida de agir, procuro não ficar repetindo sempre a mesma coisa, como todos fazem, é enfadonho.

    Legal a comparação de que já temos dificuldade em acordar de manhã e muito mais para colocar projetos e idéias em prática.

  6. Kathy Disse:

    Thanks! =)

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