Dogma

Falar é fácil, difícil é fazer. Eu e Thii tivemos uma conversa interessante um tempo atrás sobre regras que nos limitam. De lá para cá mudei muito minha forma de pensar, mas toda vez que começo a ler um livro dogmático, retorno com minha precaução. E agora não é diferente.

Existe ou não? O que tememos? Estava relendo o Dogma e Ritual de Alta Magia, de Eliphas Levi. Livro muito dogmático, no entanto é leitura básica. Ia começar a planejar a evocação de uma deidade grega que tenho muita afinidade, pensei em começar a me preparar (fisicamente e espiritualmente), as coisas que necessitaria…

Quando parei e pensei: “O que estou fazendo? Isso é mesmo necessário? Não faço nada além de seguir regras. Quem disse que aqueles que me antecederam não criaram isso para nos limitar? Eram outros tempos, afinal.” São situações diferentes. Não quer dizer que porque alguém falou algo uma vez que isto está correto. Talvez eu esteja fadada a aprender com meus próprios erros, mas estarei aprendendo. Cada caso é um caso. Claro, ainda acho que tudo tem seus riscos e conseqüências. Podemos sair por ai e desenhar círculos de Goetia no chão de lugares públicos, mas não é legal. Da mesma forma eu penso que posso evocar tal deidade sem problemas, uma vez que seu arquétipo é extremamente evidente em minha pessoa (talvez até demais).

Teoricamente é interessante falar sobre não ser dogmático, mas na hora da prática tudo complica. E isso não se aplica apenas à magick, mas toda nossa vida. Adquirir conhecimento é bom, só tem um efeito adverso: dogma. Destrua o dogma e mantenha o conhecimento. Talvez seja esse ponto que todos (a maioria pelo menos) tentamos alcançar.

3 Respostas para “Dogma”

  1. Higor Disse:

    boa reflexão. vejo dogma como algo muito parecido com trauma, está enraizado lá no sub-consciente e geralmente não sabemos como adquirimos. Tem direta relação com ego, é uma das manifestações dele, e que acaba que nos deixamos levar, agindo, coagindo, reagindo… na maioria das vezes”inconscientemente”.

  2. Kathy Disse:

    Talvez sim, talvez não.

    Desde nossa infância diversos dogmas são impostos. “Não faça isso, não faça aquilo, acredite naquele outro, etc.”. Lembrando que boa parte dos nossos dogmas estão no inconsciente coletivo. Aí está um grande problema: o inconsciente coletivo.

    Uma das frases que escrevi num papel e coloquei na parede do meu quarto: “Aqueles que não estão prontos para a destruição dos dogmas e morte das verdades devem ficar em casa vendo tv – é mais proveitoso”.

    Um ponto de vista interessante.

  3. Rev. Peterson Cekemp Disse:

    hEAHEAhAEAEHAEEAHAEHAEeah é uma ÓTIMA frase essa do seu quarto! =D
    Destruir o dogma e manter o conhecimento é difícil porque isso implica em ter controle total sobre sua realidade, o modo como ela é construída, porque fazer isso é dizer “olha, eu considero isso certo, mas pode não ser certo” – é manter essa… como dizer… Essa “margem” de dúvida com aquilo que se considera verdadeiro. Mas aí a questão é: como viver com essa dúvida? As pessoas consideram coisas como verdadeiras porque isso éútil, porque assim elas podem construir sua vida em cima delas. Eu considero que esse computador existe, se não considerasse isso uma verdade não poderia escrever, me comunicar com vc. A grande coisa é ser capaz de dizer “eu sei que isso não é uma verdade absoluta, mas é o que eu quero que seja por enquanto porque me parece mais plausível / me é mais útil”. Isso é construir a própria realidade, e é uma grande “responsabilidade” =)

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