Sobre a nova lei de trânsito

Sei que já devem ter comentado muito sobre o assunto, mas como ando extremamente ocupada não pude fazer antes essa postagem que há muito queria. De fato, ando ausente da blogosfera.

Há algumas semanas, retornando para casa, ouço uma entrevista no rádio (Pânico) do ônibus (?). Eles estavam comentando que a pessoa deveria ser consciente que se bebesse poderia perder a carteira e ganhar multa. Como discordiana, discordo.

Qual o objetivo da lei? Obviamente para impedir que as pessoas bebam e provoquem acidentes. Claro, é uma conclusão tão difícil de se chegar que as pessoas pensam que eles devem simplesmente evitar a punição. Tornou-se um gesto automático.

Lembrei da matéria extra que estava fazendo na faculdade, Análise e Modificação de Comportamento. A punição que estão aplicando serve apenas a curto prazo, não educa as pessoas. Parece que é extremamente difícil saber que se você beber terá um déficit cognitivo e poderá ocasionar algum acidente, tornar-se um assassino, desmembrar famílias. Esqueça o prejuízo ao seu bolso ou o fato de você ter que ficar um tempo sem dirigir. O que falta é pensamento lógico e racionalidade aplicada ao cotidiano – mas não em excesso.

Nos tornaremos robôs (ou repolhos) que agem instintivamente para evitar a punição que a infração das regras nos proporciona, sem ter o mínimo conhecimento para saber o porquê da existência daquelas regras. Sou a favor de propagandas radicais, algo do tipo: se beber, mate sua família. Talvez apenas propagandas radicais sirvam para educar repolhos vencidos (umanus). Também sou contra motos, visto que causam a maior parte dos acidentes de trânsito (entre num hospital e verá 15:20 no mínimo) – mas é irrelevante no momento.

As pessoas se acham tão espertas e “especiais” que nada acontecerá se dirigirem embriagadas. Ainda estou com o espírito egóico e sarcástico da minha personagem 8, mas sinto dizer, você é normal (e inútil). Carrega responsabilidades como qualquer um. E se você não dirige, tem a obrigação de começar a conscientizar as pessoas que bebem e dirigem que são potenciais assassinos. Dane-se a carteira, você pode atropelar a pessoa que mais ama sem ter noção disso. E ficará o resto de sua vida lamentando-se, patético. Se não lamentar, mais patético ainda.

3 Respostas para “Sobre a nova lei de trânsito”

  1. Santaum Disse:

    Fantástico.

    Penso da mesma maneira. É uma lei que funciona a curto prazo. Basta a lembrar a reforma da lei de trânsito em 98. Todo mundo na época ficou preocupado. Depois o pessoal relaxou.

    E você ainda falou das motos, que tem uma contribuição expressiva nos acidentes. Fazendo mais um adendo a isso, as motos poluem muito mais que os carros. Mas acho meio difícil isso acontecer, pois o mercado tá aquecido, a gasolina tá aumentando e o programa de crédito tá elevado demais.

    Sobre a propaganda de álcool, você não acha que teria que ser igual a de cigarro? E a do carro a mesma coisa? Quando você se movimenta, já é um perigo. Não é que estou criando um movimento para todos ficarem presos em casa. Bom, pensando bem, vai dar na mesma. A propaganda só te ilude naquele momento.

    Excelente post.

  2. Santaum Disse:

    Ah sim, depois você lê a “Dica de como burlar o bafômetro”, hehehehehe. tire suas próprias conclusões.

  3. Kathy Disse:

    Cada ato implica em riscos. Saindo na rua já estamos correndo riscos. O mundo não é seguro. Mas nem por isso devemos ficar em casa. Sim, talvez devesse haver propagandas para as pessoas se conscientizarem e não abusarem de suas liberdades para o suicídio/homicídio, mas mesmo assim…. repolhos são burros. A maioria dos esforços são em vão e a curto prazo apenas. Umanus adoram manchetes e fofocas de tablóide.

    Como disseram outro dia para mim: ‘diminuir o preço das motos e vender mais é uma ótima forma de controle populacional.’ É, frase malthusiana, mas não deixa de estar próximo daquilo que chamamos realidade.

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